O Acompanhamento terapêutico e o paciente com Doença de Alzheimer

A crescente incidência de Doença de Alzheimer na população mais idosa leva-nos a pensar em possíveis intervenções que vão além dos cuidados básicos gerais. Nesse sentido o Acompanhamento terapêutico contempla uma dessas possibilidades.

A intervenção do Acompanhante terapêutico tem como objetivo oferecer melhores momentos a estas pessoas, mesmo que sua lembrança desapareça rapidamente depois.

O presente é o único tempo que é dado para estes pacientes viverem. E é nele que nos encaixamos. Entramos como suporte e ajuda nesta fração do presente.

Conversamos, ouvimos, evocamos músicas significativas, passeamos para ver o mundo e despertamos a capacidade de admirar e de se maravilhar com as coisas.

Resgatamos o que ainda é possível resgatar e procuramos criar momentos de bem-estar, alegria e esquecimento do esquecimento.

No caso das pessoas com Doença de Alzheimer, o Acompanhante terapêutico visa também preservar, pelo maior tempo possível, as habilidades cognitivas do paciente procurando, em certo sentido, retardar o progresso das perdas inevitáveis.

O olhar profissional tem por função decodificar o sentido da comunicação especial das pessoas com demência oferecendo-lhes um espaço de diálogo e compreensão.

Além de tudo o que já se conhece sobre as tantas perdas que sofrem, é importante também considerarmos e atentarmos para as habilidades que eles conservam. E é exatamente focando nessas capacidades que o Acompanhante terapêutico trabalha, enfatizando mais nas possibilidades e menos nos prejuízos.

O pensamento intuitivo e a sensibilidade são aspectos muitas vezes preservados que podem propiciar muito prazer e alegria se forem adequadamente estimulados.

Procuramos tirar os pacientes do seu isolamento, principalmente mental, e criar possibilidades de comunicação, mesmo quando ela já se encontra limitada e circunscrita a repetições. Nesse trabalho criamos oportunidades de intercâmbio afetivo.

A comunicação, neste caso, não se centra nos aspectos da realidade objetiva, mas, sim, na realidade interior e subjetiva de cada paciente. Por isso cada intervenção do Acompanhante terapêutico é pensada para cada caso específico, já que cada um vive a demência de maneira própria e individual. O trabalho deve ser também o mais plástico possível para abarcar todas as “surpresas” que podem ocorrer nesta relação.

Além do trabalho com o paciente em si, o Acompanhante terapêutico procura ajudar os cuidadores destas pessoas a criarem um ambiente físico e de relação mais tranquilo, para que os comportamentos adversos possam ser, se não controlados, pelo menos reduzidos.

A ideia é, portanto, trabalhar para gerar situações de prazer, preservando e estimulando as capacidades cognitivas e de socialização ainda presentes, além de acompanhá-lo, com braço amigo, na viagem ao território do desconhecido.

O Acompanhante terapêutico deve se tornar a referência conhecida que dá segurança e que traduz constantemente o mundo para aquele que está perdendo a capacidade de entendê-lo.

Monica Unger Ibri – Psicóloga e Acompanhante Terapêutica de Idosos
http://www.monicaibri.com.br

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